Meu trabalho parte da ideia de estrutura. Sempre me interessou entender como as coisas se sustentam e o que acontece com elas ao longo do tempo. Uso materiais industriais e orgânicos reaproveitados porque eles já carregam marcas de uso, desgaste e história. Não me interessa o material “limpo” ou novo, mas aquilo que já foi atravessado pelo tempo. Quando construo uma escultura, penso muito em equilíbrio, peso e tensão. Gosto de deixar o processo aparente — soldas, remendos, encaixes — porque isso revela que a forma não é definitiva, que ela está sempre em negociação. As obras acabam ficando em um lugar entre arquitetura e corpo, entre algo que parece sustentar e algo que parece prestes a ceder. Não trabalho com memória de forma nostálgica. Para mim, a memória é algo duro, concreto, quase físico. Ela está inscrita na matéria, não como lembrança idealizada, mas como vestígio. Acho que minhas esculturas falam desse esforço constante de permanecer, mesmo em estruturas frágeis ou desgastadas.