Minha prática escultórica investiga a relação entre matéria, tempo e memória por meio do uso de materiais industriais e orgânicos reaproveitados. Ferro, concreto, madeira e resíduos arquitetônicos são reorganizados em estruturas que evidenciam marcas de uso, transformação e permanência. O trabalho não busca restaurar o que foi perdido, mas revelar aquilo que resiste: vestígios, tensões e cicatrizes inscritas na matéria. As esculturas operam como arquiteturas simbólicas, equilibrando peso e fragilidade, natureza e construção humana. Ao ocupar espaços expositivos, arquitetônicos e públicos, as obras propõem uma experiência direta com o espectador, convidando-o a refletir sobre memória, tempo e o ambiente construído.
Série Cosmos
Inspirada pela vastidão do universo e pelos mistérios da astronomia, Cosmos se diferencia das outras séries por ter uma abordagem mais abstrata e exploratória. O conceito surgiu a partir da manipulação de materiais que evocavam formas cósmicas, como superfícies irregulares e estruturas circulares que remetem a corpos celestes. Otavio vê essa série como um exercício de imaginação e percepção, onde o desconhecido e o infinito se tornam o centro da experiência artística.
Série Memórias
Memórias foca nos escombros e materiais abandonados que carregam histórias humanas. Durante suas buscas por matéria-prima, Otavio percebeu a quantidade de resíduos de construções e objetos descartados que continham vestígios de memórias do passado. Ao utilizá-los em sua obra, ele busca resgatar essas narrativas, criando um novo significado para aquilo que foi deixado para trás. O resultado são esculturas abstratas que remetem à permanência das lembranças no tempo.
Série Flora Urbana
Essa série surgiu da interação de Otavio com materiais descartados na cidade, principalmente madeiras e troncos de árvores. Ele ressignifica esses elementos, abordando a relação entre a construção urbana e a natureza. Sua intenção não é representar a destruição de forma negativa, mas sim mostrar a resiliência da natureza e seu poder de regeneração. As peças dessa série costumam trazer elementos naturais integrados a estruturas de ferro e outros materiais reutilizados.
Série Arquiteturas do Incerto
A tensão entre o industrial e o sensível, entre o peso do metal e a leveza translúcida da resina, evoca uma narrativa de embate e negociação: não há dominação de um sobre o outro, mas um convívio incômodo e vital. As cores primárias inseridas nesse labirinto de hastes remetem a uma ideia de origem — como se a obra revisasse os fundamentos da forma, da linguagem visual e, sobretudo, da construção da subjetividade. Suspensa entre contenção e liberdade, a escultura propõe uma leitura crítica da condição contemporânea: somos atravessados por estruturas — sociais, digitais, políticas — mas ainda carregamos, no centro de tudo, fragmentos de desejo, emoção e memória.